{"id":407,"date":"2026-06-02T20:35:53","date_gmt":"2026-06-02T23:35:53","guid":{"rendered":"http:\/\/jrgouveia.com.br\/?p=407"},"modified":"2026-08-11T14:34:52","modified_gmt":"2026-08-11T17:34:52","slug":"post-sobre-literatura","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/jrgouveia.com.br\/?p=407","title":{"rendered":"Oie, eu sou Jacqueline Scheibe."},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma leitora qualquer \u2014 mas talvez n\u00e3o qualquer leitora. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E antes que voc\u00ea pense que esta ser\u00e1 apenas mais uma coluna sobre livros dif\u00edceis, autores antigos ou an\u00e1lises distantes da vida real, eu queria te fazer um convite simples: d\u00ea uma chance \u00e0 leitura. N\u00e3o \u00e0 leitura perfeita. N\u00e3o \u00e0 leitura elitizada. Apenas ao ato de ler. Ler \u00e9 um h\u00e1bito que nunca pertenceu somente aos intelectuais, \u00e0s bibliotecas silenciosas ou \u00e0s pessoas que terminam cinquenta livros por ano. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ler est\u00e1 em tudo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Est\u00e1 na mensagem que voc\u00ea envia e espera receber. Na legenda que te faz parar alguns segundos a mais. Est\u00e1 no vers\u00edculo sublinhado, na carta esquecida dentro de um livro, no bilhete deixado \u00e0s pressas antes de sair para o trabalho. Ler est\u00e1 no aprendizado, mas tamb\u00e9m no descanso. Est\u00e1 na informa\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, mas tamb\u00e9m no prazer quase silencioso de encontrar uma frase que parece ter sido escrita exatamente para voc\u00ea. Ler \u00e9 um ato de domesticar o c\u00e9rebro e a mente a pensar, pode parecer domestica\u00e7\u00e3o quqando infligido \u00e0 for\u00e7a, mas acredite, pode ser muito leve e gostoso, porque para muitos \u00e9 infligido \u00e0 for\u00e7a, torna-se um h\u00e1bito de transforma\u00e7\u00e3o social, mental e intelectual. Ning\u00e9m \u00e9 o mesmo depois de um livro. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ler \u00e9 um direito. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E talvez uma das formas mais bonitas de voltar para dentro de si em tempos t\u00e3o barulhentos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E \u00e9 pensando justamente nisso que essa coluna se posiciona: Leia! N\u00e3o para ensinar ningu\u00e9m a ler cl\u00e1ssicos, mas para lembrar que a literatura pode ser menos inacess\u00edvel do que parece. E que muitos livros antigos falam, de maneira assustadoramente humana, sobre sentimentos que continuam vivos (a\u00ed dentro de voc\u00ea) hoje. Leia porque voc\u00ea encontra acolhimento, leia para se conhecer, leia para construir e desconstruir quantas vezes forem necess\u00e1rias cren\u00e7as limitantes, leia para se surpeender, leia para se divertir, insista na leitura. E isso sem considerar os ganhos cognitivos associados \u00e0 leitura. Diversos estudos apontam sua contribui\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento cerebral, da mem\u00f3ria, da aten\u00e7\u00e3o e do pensamento cr\u00edtico. Embora esses benef\u00edcios sejam amplamente reconhecidos e relevantes, eles representam apenas uma parte de tudo o que a leitura pode proporcionar. Mas, epero sinceramente, que voc\u00ea leia para encontrar-se consigo mesmo e com sorte fazer muitos amigos dentro das p\u00e1ginas, e talvez alguns inimigos necess\u00e1rios. Afinal, o que \u00e9 uma boa hist\u00f3ria sem um antagonista n\u00e3o \u00e9 mesmo? <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Come\u00e7aremos pelos cl\u00e1ssicos \u2014 (n\u00e3o se assuste ainda) existe um motivo para isso. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando abrimos um romance do s\u00e9culo XIX, n\u00e3o estamos apenas diante de uma hist\u00f3ria. Estamos diante de um tempo inteiro. Um per\u00edodo em que n\u00e3o existiam celulares, fotografias instant\u00e2neas, v\u00eddeos ou registros r\u00e1pidos da vida cotidiana como temos hoje. Muito do que aquelas pessoas sentiram, pensaram e viveram chegou at\u00e9 n\u00f3s atrav\u00e9s da arte: da pintura, do teatro e, sobretudo, da literatura. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez por isso os cl\u00e1ssicos tenham permanecido uma vez que conservaram emo\u00e7\u00f5es humanas mesmos ap\u00f3s tantas mudan\u00e7as no mundo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E poucos per\u00edodos produziram retratos t\u00e3o intensos da vida quanto a Era Vitoriana. Um tempo de avan\u00e7os industriais, crescimento econ\u00f4mico, luxo, etiqueta, mas tamb\u00e9m de solid\u00e3o, desigualdade, rigidez social, solid\u00e3o e sil\u00eancios sufocantes. N\u00e3o diferentes dos dias de hoje no Brasil, vai). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Victorian Era foi o per\u00edodo da hist\u00f3ria do Reino Unido marcado pelo reinado da Queen Victoria, entre os anos de 1837 e 1901. O nome \u201cvitoriana\u201d vem justamente de \u201cVictoria\u201d, porque seu longo reinado acabou se tornando s\u00edmbolo de toda uma \u00e9poca, n\u00e3o apenas pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m social, cultural e econ\u00f4mica. O significado da Era Vitoriana vai al\u00e9m de uma simples divis\u00e3o de datas. Ela representa um per\u00edodo de grandes contrastes: O autor Charles Dickens, em seu livro A Tale of Two Cities, um romance hist\u00f3rico publicado originalmente em 1859, descreveu sobre aquele per\u00edodo dizendo: <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c<em>Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos; era a idade da sabedoria, era a idade da tolice; era a \u00e9poca da cren\u00e7a, era a \u00e9poca da incredulidade; era a esta\u00e7\u00e3o da luz, era a esta\u00e7\u00e3o das trevas; era a primavera da esperan\u00e7a, era o inverno do desespero<\/em>.\u201d <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E talvez nenhuma frase explique t\u00e3o bem as contradi\u00e7\u00f5es humanas. Havia progresso, mas tamb\u00e9m vazio. Havia grandes sal\u00f5es iluminados, enquanto muitas pessoas viviam emocionalmente no escuro. A Era Vitoriana tornou-se um per\u00edodo marcante da hist\u00f3ria por representar a consolida\u00e7\u00e3o da Inglaterra como uma grande pot\u00eancia mundial durante o reinado da Rainha Victoria. Com a expans\u00e3o do Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico, o avan\u00e7o da industrializa\u00e7\u00e3o e o fortalecimento do com\u00e9rcio, o pa\u00eds ampliou sua influ\u00eancia pol\u00edtica, econ\u00f4mica e cultural em diferentes partes do mundo. Essas tens\u00f5es fizeram da Era Vitoriana um cen\u00e1rio de profundas transforma\u00e7\u00f5es humanas, pol\u00edticas e culturais. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 justamente nesse cen\u00e1rio que encontraremos algumas das pr\u00f3ximas obras desta coluna, especialmente analisaremos os romances das irm\u00e3s Bront\u00eb. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Charlotte, Emily e Anne Bront\u00eb escreveram mulheres que sentiam demais para o tempo em que viviam. Mulheres inteligentes, observadoras, solit\u00e1rias, inquietas e, muitas vezes, deslocadas do mundo ao redor. Ler as Bront\u00eb n\u00e3o \u00e9 apenas visitar a Inglaterra vitoriana; \u00e9 perceber quantas perguntas humanas continuam atravessando os s\u00e9culos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E come\u00e7aremos por Agnes Grey, de Anne Bront\u00eb. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Talvez porque Anne tenha sido, durante muito tempo, a irm\u00e3 menos lembrada. Talvez porque Agnes Grey fale da experi\u00eancia silenciosa de tantas pessoas que tentam permanecer gentis em ambientes duros. Ou talvez porque exista algo muito honesto na maneira como Anne escreve sobre trabalho, dignidade, frustra\u00e7\u00e3o e sensibilidade feminina sem exageros rom\u00e2nticos. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 um livro delicado, mas n\u00e3o fraco. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E acredito que come\u00e7ar por ele seja uma boa maneira de abrir as portas desta jornada liter\u00e1ria sem pretens\u00e3o, sem exig\u00eancias e sem medo dos cl\u00e1ssicos. Se voc\u00ea nunca leu uma obra vitoriana, talvez esse seja o momento. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E se j\u00e1 leu, espero que venha comigo revisitar essas hist\u00f3rias com um olhar mais humano do que acad\u00eamico. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas pr\u00f3ximas semanas, seguiremos juntos entre p\u00e1ginas antigas, personagens inesquec\u00edveis e impress\u00f5es muito pessoais sobre aquilo que os livros ainda conseguem despertar em n\u00f3s. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pr\u00f3xima an\u00e1lise ser\u00e1 sobre Agnes Grey. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 breve!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">@jacqueestouaqui<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma leitora qualquer \u2014 mas talvez n\u00e3o qualquer leitora. 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